Embora a música diga que “é dos carecas que elas gostam mais”, nem todo mundo consegue fazer as pazes com o espelho quando o fantasma da calvície chega. No entanto, a boa notícia para essas pessoas é que o transplante capilar é uma técnica muito eficaz e segura, realizada há mais de 30 anos e que garante a satisfação dos pacientes.

Quer saber como esse procedimento funciona? Então, não perca este post! Ele é um guia completo onde você vai descobrir as indicações, resultados e outras informações importantes sobre essa técnica. Acompanhe!

O que é o transplante capilar?

Trata-se de um conjunto de procedimentos cirúrgicos realizados para solucionar o problema da calvície. As técnicas são variadas e o médico pode usá-las separadamente ou optar por combiná-las, de acordo com cada caso.

O objetivo é usar as áreas com o próprio cabelo do paciente para cobrir a cabeça de forma mais eficiente. Assim, é possível reduzir ou eliminar as partes calvas do couro cabeludo.

O transplante capilar soluciona o problema da queda de cabelo tanto em áreas reduzidas quanto naqueles casos que exigem uma intervenção mais completa. Entre esses procedimentos, podemos destacar:

  • enxertos com punch;
  • mini e micro-enxertos;
  • enxertos de unidades foliculares;
  • cirurgia de retalhos;
  • expansão tecidual;
  • redução do couro cabeludo.

Quais são as causas da calvície?

A queda de cabelo é causada por uma combinação entre diversos fatores. Na maioria das vezes, o histórico familiar de calvície, alterações hormonais e envelhecimento são os principais responsáveis pelo problema.

Algumas pessoas, especialmente homens, começam a manifestar queda capilar desde cedo. Geralmente, esse início precoce é um indício de que a calvície será severa.

Além dessas causas naturais, a calvície pode acontecer devido a queimaduras ou traumas. Contudo, nesses casos a cirurgia de transplante capilar é considerada um tratamento reconstrutor, e não apenas um procedimento estético.

Embora existam muitos mitos a respeito da calvície, hoje em dia os estudos mostram que essas teorias não têm nenhuma comprovação. Os principais são os que dizem que o problema é causado por má circulação no couro cabeludo, deficiência de vitaminas e uso frequente ou prolongado de bonés e chapéus. Porém, essas não são as causas reais do problema.

Como acontece o transplante capilar?

De forma simplificada, podemos definir o transplante capilar como o procedimento onde o cirurgião retira enxertos de uma área doadora e os implanta em regiões calva ou com pouco cabelo.

No entanto, a partir dessa definição básica surgiram técnicas variadas. O motivo dessas diferenças é, principalmente, o tamanho da área que precisa receber o enxerto.

O transplante capilar não acontece em um único procedimento. Geralmente, o cirurgião precisa de várias sessões para obter um resultado satisfatório. Além disso, é necessário respeitar um intervalo de meses para a cicatrização entre essas etapas. Entenda como acontece esse processo de reconstrução:

Primeira sessão do transplante capilar

Um pouco antes da sessão, o médico usa o bisturi a fim de realizar cortes na área doadora. Assim, durante a cirurgia, esses enxertos podem ser removidos com facilidade. A partir daí, o cirurgião faz um trabalho delicado de reconstrução, retirando áreas muito pequenas com cabelo e inserindo em orifícios também pequenos no couro cabeludo, na parte calva. Após o transplante, essas fendas são fechadas com pontos, que ficarão cobertos pelo cabelo em volta.

Todo esse trabalho precisa ser feito com muita precisão. Assim, o cirurgião deve colocar cada pedacinho de enxerto na posição correta para garantir que o cabelo crescerá no sentido natural. Da mesma maneira, ele deve tomar cuidado para garantir que o crescimento do cabelo na área doadora não será prejudicado. Ao final da sessão, o couro cabeludo é limpo e coberto com gaze.

Esse trabalho inicial faz com que a região calva comece a ser preenchida. No entanto, é normal que sobre ainda um espaço considerável entre os enxertos. Essas áreas serão cobertas gradualmente nas sessões seguintes.

Embora alguns médicos recomendem a utilização de bandagem de compressão por um dia ou dois, outros cirurgiões preferem não indicá-las. É importante confiar no discernimento do profissional e seguir as orientações dele para sua recuperação.

Demais sessões do transplante capilar

Depois da primeira etapa, é fundamental esperar até meses a fim de garantir que o couro cabeludo esteja completamente cicatrizado. Só então o cirurgião marcará uma nova sessão para continuar o trabalho e diminuir gradualmente os espaços entre os enxertos.

Nessas sessões, o médico repetirá o procedimento da primeira. Porém, ele analisará os resultados anteriores para inserir os novos enxertos em posições estratégicas, garantindo uma cobertura uniforme.

Quanto tempo leva para solucionar a calvície por meio do transplante capilar?

Como o tratamento exige várias sessões e um intervalo grande para a cicatrização, em alguns casos o tempo necessário para obter o resultado final pode chegar a dois anos. Contudo, esse período depende do tamanho da área que precisa ser coberta, o que também varia de acordo com a cor e a textura do cabelo.

Quais são os tipos de transplante capilar?

Existem técnicas apropriadas para pequenas áreas e outras indicadas para regiões maiores. Por esse motivo, falaremos delas separadamente:

Transplante capilar para áreas pequenas

Quando é preciso preencher áreas reduzidas, os procedimentos mais comuns são os micro e mini-enxertos e até mesmo os transplantes de unidades foliculares. Veja as diferenças:

  • enxertos redondos contêm entre 10 e 15 fios de cabelo e o normal é transplantar em média 50 unidades na primeira sessão;
  • mini-enxertos contêm de 2 a 4 fios de cabelo e o médico pode transplantar até 700 unidades na primeira sessão;
  • micro-enxertos contêm entre 1 e 2 fios de cabelo e também é possível transplantar até 700 unidades na primeira sessão.

Em todos esses casos, o cirurgião usa aquele procedimento que já explicamos: corta um enxerto da área doadora e implanta na região calva.

Também já existem técnicas modernas, que transplantam unidades foliculares. Elas são separadas em microscópios e inseridas em microincisões. Entretanto, nesses casos o médico pode enxertar até 800 unidades na primeira sessão.

Enxertos com punch

Contudo, existe ainda outra técnica direcionada para o preenchimento de áreas menores: o enxerto com punch. Nesse tipo de procedimento, o médico utiliza um instrumento feito com aço carbono afiado, que se parece com um canudo.

Com esse instrumento, o cirurgião perfura o enxerto e o retira da área doadora. Depois, o transplanta para a área calva, que geralmente é o couro cabeludo frontal. Nessa técnica, um único ponto é capaz de fechar cada orifício.

Transplante capilar para áreas maiores

Porém, quando o paciente precisa preencher uma área maior, é possível que ele precise recorrer a técnicas diferenciadas ou cirurgias um pouco mais complexas. Vamos falar sobre elas a seguir.

Expansão de tecido

Trata-se de uma técnica muito utilizada em cirurgias reconstrutoras, como aquelas que são feitas para reparar queimaduras ou lesões onde o paciente perdeu uma área maior da pele.

Nesse procedimento, o médico insere um expansor de tecido por baixo do couro cabeludo. Ele funciona como um balão, que é inflado gradualmente com solução salina. Assim, à medida que o volume aumenta, ele força a expansão dessa área.

Depois de cerca de dois meses realizando essa expansão, aquela área do couro cabeludo se torna maior do que o necessário para cobrir o crânio, gerando uma sobra. Então, o médico realiza uma cirurgia para trazer esse couro expandido e preencher gradualmente a área calva.

Essa técnica tem sido reconhecida por proporcionar resultados excelentes, especialmente nos casos que comentamos: lesões e queimaduras. Dessa forma, em um período relativamente curto os pacientes têm uma solução eficaz para seu problema e para recuperar sua autoestima.

Cirurgia do retalho

Essa é outra técnica utilizada há mais de 20 anos e que garante um bom resultado, pois permite cobrir rapidamente áreas calvas maiores. Um retalho é uma “tira” de couro cabeludo, de tamanho bem maior que os enxertos pequenos, que já falamos.

Para que você tenha uma ideia, um único retalho substitui pelo menos 350 enxertos realizados com punch.

Nessa técnica, o cirurgião desenha um retalho na área doadora. Então, ele corta suas laterais, porém sem completar o contorno inteiro. O objetivo é deixar uma das extremidades presa para garantir que aquela região continue recebendo seu fornecimento de sangue (e oxigênio) natural.

Normalmente, as áreas doadoras ficam nas laterais e na parte de trás da cabeça. Se você pensar em grande parte das pessoas calvas que conhece, se lembrará que essas são as regiões que mantêm cabelos.

Portanto, primeiro o médico faz esses retalhos. Depois, ele os posiciona e costura substituindo as áreas calvas. Esses trechos continuam recebendo nutrição pela circulação sanguínea, o que faz com que os fios cresçam normalmente. Embora o procedimento deixe cicatrizes,elas costumam ficar cobertas pelos cabelos.

Cirurgia de redução do couro cabeludo

A cirurgia de redução do couro cabeludo é muito indicada para acabar com aquela calvície típica do alto da cabeça e também da parte traseira. Sua ideia é simples, embora o procedimento seja cuidadoso: retirar a área calva do couro cabeludo e esticar as partes que ainda têm cabelo, unindo-as por meio de costura e garantindo a cobertura.

Nessa técnica, o contorno de determinadas áreas do couro cabeludo é cortado e o médico faz um descolamento dessa região. Então, ela é puxada para a frente ou avançada com o objetivo de cobrir a área calva.

Geralmente, esse procedimento é feito para cobrir a calvície da parte superior e traseira da cabeça. No entanto, os especialistas não a recomendam para cobrir a linha frontal do couro cabeludo.

O formato do corte varia de acordo com a área que precisa ser coberta. O formato de Y é indicado para os casos em que é necessário cobrir uma área grande. Porém, também é comum fazer a excisão em forma de U ou de um oval pontiagudo.

Depois do corte e descolamento, a área solta é puxada e unida por pontos. Não é incomum que o paciente tenha a sensação de um forte puxão e sinta um pouco de dor. Entretanto, esse desconforto é amenizado com analgésicos e desaparece com o tempo.

Combinação de técnicas

Nos últimos anos, o conhecimento e aplicação dessas técnicas passou por um grande avanço. Hoje, os cirurgiões conseguem combiná-las para garantir resultados extraordinários. Assim, se eles percebem que a área doadora é pequena para fazer uma cirurgia de retalho, por exemplo, os médicos iniciam o processo de outra forma.

Primeiramente, eles fazem um procedimento e começam a expansão da área doadora. Para isso, eles usam a técnica do balão.

Depois que a área doadora foi estendida e existe uma sobra suficiente para a cobertura da região calva, eles realizam uma nova cirurgia. Desta vez, eles utilizam a técnica do recorte ou a redução do couro cabeludo para eliminar a calvície da coroa ou cobrir a parte da frente garantindo uma linha mais natural do cabelo.

O transplante capilar é seguro?

Todos esses procedimentos são bastante seguros e praticamente não envolvem riscos. Porém, sempre lembramos que é importante que o paciente procure cirurgiões experientes, que sejam membros certificados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Além disso, o transplante capilar deve acontecer em um local seguro, em hospitais ou centros cirúrgicos completamente equipados e autorizados pela Vigilância Sanitária. Também é necessárioque a equipe seja treinada para atender qualquer tipo de intercorrência.

Existem riscos na realização do transplante capilar?

Geralmente, os poucos riscos estão mais associados aos resultados do que à saúde do paciente. Embora o sucesso nesse tipo de procedimento seja muito grande, é fundamental que o candidato discuta suas expectativas com o médico. Assim, ele poderá esclarecer suas dúvidas e definir o que é possível ou não fazer.

Portanto, antes de se submeter a esse tipo de tratamento, é importante que o paciente esteja consciente de que:

  • Cada corpo é único, assim como as reações de cada paciente ao processo de cicatrização. Por isso, os resultados não são totalmente previsíveis e variam de pessoa para pessoa.
  • Como em toda cirurgia, existe um risco mínimo de infecção. No entanto, na maioria das vezes esse problema é evitado se o paciente segue as orientações do médico no pós-operatório e realiza todosos procedimentos de assepsia.
  • Dependendo do tipo de tratamento, o paciente pode ficar com algumas cicatrizes um pouco mais largas. É normal que elas fiquem escondidas sob o cabelo, mas é importante conversar com seu médico e discutir todas essas possibilidades.
  • Em qualquer procedimento de transplante, existe o risco de alguns enxertos não serem bem-sucedidos. Nesses casos, o trecho de pele morre antes da implantação e é necessário fazer uma nova cirurgia.
  • É possível que o paciente observe pequenas saliências no couro cabeludo, exatamente nos locais onde ocorreu o transplante. Embora elas sejam perceptíveis ao toque, o cabelo não permite que elas fiquem visíveis.

Qual é a anestesia usada no transplante capilar?

O transplante capilar geralmente é feito com anestesia local. Essa aplicação tem uma ação superficial,  que afeta apenas o conjunto de nervos que liga essa regiãoe não provoca sono no paciente. Portanto, o couro cabeludo fica insensível à dor, mas a pessoa pode sentir alguns puxões ou pressão na cabeça.

Porém, seria desconfortável para o paciente ficar acordado durante a cirurgia. Por isso, os médicos aplicam também um sedativo. O objetivo é deixá-lo relaxado e proporcionar tranquilidade.

Apenas nos casos mais complexos, como as cirurgias extensas de retalhos e expansão de tecidos, os médicos aplicam uma anestesia geral.

Como é o período de preparação para o transplante capilar?

O cirurgião dará algumas orientações de preparo para a cirurgia. Normalmente, pede-se que o paciente pare de fumar pelo menos duas semanas antes a fim de aumentar o fluxo de sangue para a pele, facilitando a cicatrização.

Além disso, o médico também dará instruções sobre como se alimentar e o que beber. Em alguns casos, ele suspenderá temporariamente os medicamentos utilizados.

Também é importante que, no dia da cirurgia, um adulto de sua confiança o acompanhe até o hospital e o leve para casa após o procedimento.

Como é o pós-operatório do transplante capilar?

Primeiramente, é importante se programar para descansar no pós-operatório. O tempo de repouso pode variar entre dois dias para os procedimentos mais simples até um período maior no caso das cirurgias complexas. Portanto, solicite a ajuda de uma pessoa de confiança para poder se dedicar à recuperação.

As dores, latejamento e tensão excessiva podem ser controladas com medicamentos prescritos pelo médico. Entretanto, cada paciente pode ter sensações de acordo com sua sensibilidade e da complexidade do procedimento.

Quanto aos outros aspectos, sempre é importante ficar atento e seguir às recomendações dos médicos. Embora mencionemos o tempo médio para as atividades do dia a dia, esse prazo pode mudar conforme os procedimentos realizados e à medida que o médico acompanha sua recuperação:

  • remoção da bandagem: geralmente são retiradas no dia seguinte ao transplante;
  • lavagem cuidadosa do cabelo: cerca de dois dias após o procedimento;
  • remoção dos pontos: entre 1 semana e 10 dias após a cirurgia;
  • volta às atividades extenuantes e exercícios físicos: cerca de 3 semanas após o transplante;
  • atividade sexual: em alguns casos, o médico recomenda evitá-las por pelo menos 10 dias.

Além dessas recomendações, provavelmente o cirurgião marcará várias consultas de retorno ao longo do primeiro mês após a cirurgia. O objetivo dessas visitas é acompanhar a recuperação e se certificar que as incisões estão cicatrizando adequadamente.

Quanto tempo leva para o paciente ver o resultado?

Como já falamos, na maioria das vezes é necessário realizar várias etapas para ver o resultado final do transplante capilar. Depois do procedimento, é normal o cabelo das áreas enxertadas cair dentro de seis semanas. Portanto, se isso acontecer, não se preocupe. A queda costuma ser temporária e previsível.

Após essa queda inicial, o cabelo volta a crescer dentro de outras cinco ou seis semanas.

Quem pode fazer o transplante capilar?

Esses procedimentos são recomendados quando o paciente têm uma perda capilar perceptível, porém apresenta crescimento de cabelo saudável na parte de trás e nas laterais da cabeça. Assim, essas áreas servirão como doadoras, fornecendo trechos de pele ou fios para cobrir a calvície.

Entendeu como é feito o transplante capilar e quais os resultados que as diferentes técnicas proporcionam? Ainda ficou com alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários e teremos o prazer de respondê-la!